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Google e a bolha da Internet

  • Apr. 14th, 2008 at 4:21 PM
Existe uma anomalia importante na Internet. Ela consiste na enorme concentração de poder nas mãos de uma só empresa, o Google. Na verdade, tudo leva a crer que o Google, ou seus controladores, em nenhum momento sequer sonharam, ou mesmo quiseram dispor de tamanho poder monopolista.

Se apenas dois ou três anos atrás alguém sugerisse que se estava caminhando para a situação atual, todos os especialistas repudiariam a menor possibilidade de que isso viesse a acontecer.

Seria crível, em 2006, que o futuro do moderno Leviathan, a Microsoft, estaria ameaçado pelo bando colorido e quase folclórico de programadores do Google? Alguém acreditaria, em 2005, que o Yahoo! estaria despencando ladeira abaixo, ou que a AOL seria apenas mais uma empresa que perdeu a mão e a clientela?

Ou então que a Web 2.0, a teia de redes sociais, surgiria de um momento para o outro e destruiria a arquitetura rígida nos grandes portais? Ou que o monopólio das grandes empresas jornalísticas cairia por terra, ameaçando a própria sobrevivência de tradicionais e orgulhosos jornais como o New York Times?

Pois isso tudo acabou por acontecer, e em grande medida por causa do estouro da Grande Bolha da Internet, que foi um verdadeiro massacre para as empresas iniciantes de tecnologia, as startups. Quando houve a quebradeira geral, todos se viram à procura de uma saída da catástrofe, e aparentemente apenas o Google se viu em condições de apontá-la: a combinação entre o seu engenho de buscas baseado em spider-robots, de uma eficiência enorme, e um sistema onipresente de publicidade online.

Como uma das pouquíssimas empresas capitalizadas à época do estouro da Bolha, o Google saiu comprando dezenas de empresas. E com elas vieram milhares de cérebros, programadores que ficariam desempregados sem o Google ali para contratá-los. Na verdade, hoje em dia muitas empresas são montadas tendo em vista sua compra pelo Google.

Mas a grande mágica do Google foi a criação de um ambiente de trabalho que atrai pessoas criativas como mel atrai moscas. Horários inexistentes, reuniões reduzidas ao mínimo, liberdade total para inovar e errar, a possibilidade de levar crianças e animais de estimação para a empresa, e por aí vai.

Provavelmente, apenas uma outra grande empresa tem tantas pessoas criativas quanto o Google, a Apple. A Apple também causou um terremoto em outros setores da Internet, ao reinventar o mercado televisivo, cinematográfico e musical com a dupla iPod/iTunes, e o mercado de telefonia com o iPhone.

Essas duas empresas provaram que não basta apenas dispor de uma grande quantidade de capital financeiro. É mais importante ainda dispor de uma grande quantidade de capital humano, e saber como catalizar e liberar essa energia explosiva chamada às vezes de criatividade, outras vezes de inventividade.

Nós vivemos em tempos cada vez mais interessantes, o que virá a seguir?
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