A temporalidade bem demarcada é característica muito própria das práticas religiosas. No caso das culturas cristãs e das sociedades que nasceram a partir delas, existe uma grande quantidade e diversidade de rituais para a demarcação do tempo.
Pensemos no Catolicismo monástico. Desde pelo menos o estabelecimento da Regra Beneditina no início do século VI, o tempo monástico é rigidamente demarcado entre momentos de trabalho e momentos de adoração. A Regra divide o tempo dos monges de forma muito estrita, e a cada momento de trabalho segue-se um momento de prece. Nas palavras do próprio são Bento, ora et labora.
Apesar disso, a arquitetura dos monastérios procura dar a impressão de um espaço intemporal, para que dessa forma se vivencie de forma ainda que fugaz a intemporalidade do Paraíso.
Quando as maiores cidades voltaram a ser habitáveis, ao final das invasões bárbaras, as igrejas passaram a marcar o tempo mediante o toque dos sinos. Havia os toques para a prece da manhã [Matinas] e a prece da tarde [Angelus], mas também os havia para muitas atividades intermediárias.
Os toques para as missas de Domingo eram mais elaborados que aqueles para as missas dos “dias de feira”, durante a semana. Também se tocava os sinos simplesmente para marcar a passagem do tempo, durante o dia de trabalho.
Além disso, as pequenas aldeias européias se distribuíam em uma rede apertada, o que tornava improvável que alguém deixasse de ouvir os sinos da igreja mais próxima. Onde quer que se estivesse lavrando, colhendo ou pastoreando, ali quase sempre chegava o seu som, marcando a alternância entre as horas sagradas e as profanas.
A paisagem sonora é tão importante quanto a paisagem visual, e ambas são pares essenciais do mecanismo da memória. Na verdade, pode-se dizer que a paisagem sonora contextualiza e potencializa a paisagem visual. Ao pinçar de nossa memória o registro de um determinado lugar, nós tendemos a combinar não somente a imagem, mas também os sons e aromas que a acompanham em nosso registro mental.
O conjunto das experiências, sejam elas vividas ou re-vividas, só adquire sentido pleno se puder ser colocado numa moldura temporal. Daí a relevância da marcação do tempo, a importância de que ele seja fatiado em pedaços dotados de significado.
Pensemos no Catolicismo monástico. Desde pelo menos o estabelecimento da Regra Beneditina no início do século VI, o tempo monástico é rigidamente demarcado entre momentos de trabalho e momentos de adoração. A Regra divide o tempo dos monges de forma muito estrita, e a cada momento de trabalho segue-se um momento de prece. Nas palavras do próprio são Bento, ora et labora.
Apesar disso, a arquitetura dos monastérios procura dar a impressão de um espaço intemporal, para que dessa forma se vivencie de forma ainda que fugaz a intemporalidade do Paraíso.
Quando as maiores cidades voltaram a ser habitáveis, ao final das invasões bárbaras, as igrejas passaram a marcar o tempo mediante o toque dos sinos. Havia os toques para a prece da manhã [Matinas] e a prece da tarde [Angelus], mas também os havia para muitas atividades intermediárias.
Os toques para as missas de Domingo eram mais elaborados que aqueles para as missas dos “dias de feira”, durante a semana. Também se tocava os sinos simplesmente para marcar a passagem do tempo, durante o dia de trabalho.
Além disso, as pequenas aldeias européias se distribuíam em uma rede apertada, o que tornava improvável que alguém deixasse de ouvir os sinos da igreja mais próxima. Onde quer que se estivesse lavrando, colhendo ou pastoreando, ali quase sempre chegava o seu som, marcando a alternância entre as horas sagradas e as profanas.
A paisagem sonora é tão importante quanto a paisagem visual, e ambas são pares essenciais do mecanismo da memória. Na verdade, pode-se dizer que a paisagem sonora contextualiza e potencializa a paisagem visual. Ao pinçar de nossa memória o registro de um determinado lugar, nós tendemos a combinar não somente a imagem, mas também os sons e aromas que a acompanham em nosso registro mental.
O conjunto das experiências, sejam elas vividas ou re-vividas, só adquire sentido pleno se puder ser colocado numa moldura temporal. Daí a relevância da marcação do tempo, a importância de que ele seja fatiado em pedaços dotados de significado.
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