Ao longo dos séculos, antes mesmo da queda de Roma, a Cristandade veio ocupando espaços anteriormente pagãos ou meramente seculares. Essa sacralização do espaço foi a decorrência natural do demorado processo de nascimento de uma nova civilização, aquela a que nós chamamos de civilização ocidental.
O desenvolvimento dessa civilização é em larga medida produto da interação entre a tradição ética judaico-cristã, a tradição grega de governo democrático, e a tradição romana de eficiência administrativa.
Desde cedo criou-se a noção de separação entre o sagrado e o profano, que é completamente funcional para a melhor administração do espaço e do tempo socialmente relevantes. Apesar da crença popular de que a Idade Média foi uma época de regressão histórica, ela foi bem o contrário disso. Mesmo em sua primeira metade, significativos avanços tecnológicos foram feitos, o que levou a aumentos sucessivos na produção e na qualidade de alimentos, mercadorias e serviços.
Embora a produção de alimentos demandasse relativamente pouco conhecimento organizado e acumulado, a produção de ferramentas e armas reclamava significativamente mais. E essa demanda era muito mais elevada no tocante a uma questão crucial, a necessidade de produção e preservação desse conhecimento, e sua transformação em tecnologias aplicadas à sobrevivência das sociedades locais.
É isso que leva ao surgimento de noções eficientes de engenharia e medicina, mais avançadas que aquelas de que os romanos dispunham.
A herbologia medieval, por exemplo, evoluiu lentamente a partir do conhecimento acumulado por gerações de monges conventuais. Os herbanários das abadias ainda hoje despertam admiração por parte de farmacólogos e de botânicos.
A mesma lenta evolução aconteceu com o desenvolvimento de técnicas de mecânica, notadamente aquelas diretamente ligadas à produção agrícola e ao processamento de alimentos.
Em suma, os mosteiros devem ser lembrados não apenas por suas bibliotecas e igrejas, mas também por seus hortos, suas oficinas e seus moinhos hidráulicos.
Os primeiros mosteiros surgiram primariamente para reunir aqueles homens interessados em se afastar do mundo. Os motivos secundários eram variados: a busca de santidade e de uma vida piedosa, a procura de refúgio e proteção, a fuga de um mundo selvagem e perigoso, a atração pela sabedoria dos livros e pelo cultivo das ciências...
De uma forma ou de outra, no entanto, o que se procurava era um lugar atemporal e seguro. Por isso os mosteiros foram surgindo nas terras desprezadas pelos agricultores, as terras bravias e sem valor, desertas, desdenhadas igualmente pelos senhores e pelos rendeiros.
Para os mosteiros sobraram os bosques escuros, as ravinas pedregosas, os topos ventosos e frios das montanhas. Nesses lugares reuniram-se as primeiras congregações monásticas e, principalmente no caso dos Beneditinos, as primeiras grandes bibliotecas do mundo ocidental.
Os mosteiros logo se tornaram lugares de peregrinação, não apenas por que eram território sagrado, mas também por oferecerem abrigo aos viajantes, socorro aos doentes, educação aos curiosos e àqueles inclinados ao estudo.
Os lugares sagrados da Cristandade, nesse sentido, são também, e sobretudo, lugares de acesso ao conhecimento e à salvação das almas, lugares de saber.
O desenvolvimento dessa civilização é em larga medida produto da interação entre a tradição ética judaico-cristã, a tradição grega de governo democrático, e a tradição romana de eficiência administrativa.
Desde cedo criou-se a noção de separação entre o sagrado e o profano, que é completamente funcional para a melhor administração do espaço e do tempo socialmente relevantes. Apesar da crença popular de que a Idade Média foi uma época de regressão histórica, ela foi bem o contrário disso. Mesmo em sua primeira metade, significativos avanços tecnológicos foram feitos, o que levou a aumentos sucessivos na produção e na qualidade de alimentos, mercadorias e serviços.
Embora a produção de alimentos demandasse relativamente pouco conhecimento organizado e acumulado, a produção de ferramentas e armas reclamava significativamente mais. E essa demanda era muito mais elevada no tocante a uma questão crucial, a necessidade de produção e preservação desse conhecimento, e sua transformação em tecnologias aplicadas à sobrevivência das sociedades locais.
É isso que leva ao surgimento de noções eficientes de engenharia e medicina, mais avançadas que aquelas de que os romanos dispunham.
A herbologia medieval, por exemplo, evoluiu lentamente a partir do conhecimento acumulado por gerações de monges conventuais. Os herbanários das abadias ainda hoje despertam admiração por parte de farmacólogos e de botânicos.
A mesma lenta evolução aconteceu com o desenvolvimento de técnicas de mecânica, notadamente aquelas diretamente ligadas à produção agrícola e ao processamento de alimentos.
Em suma, os mosteiros devem ser lembrados não apenas por suas bibliotecas e igrejas, mas também por seus hortos, suas oficinas e seus moinhos hidráulicos.
Os primeiros mosteiros surgiram primariamente para reunir aqueles homens interessados em se afastar do mundo. Os motivos secundários eram variados: a busca de santidade e de uma vida piedosa, a procura de refúgio e proteção, a fuga de um mundo selvagem e perigoso, a atração pela sabedoria dos livros e pelo cultivo das ciências...
De uma forma ou de outra, no entanto, o que se procurava era um lugar atemporal e seguro. Por isso os mosteiros foram surgindo nas terras desprezadas pelos agricultores, as terras bravias e sem valor, desertas, desdenhadas igualmente pelos senhores e pelos rendeiros.
Para os mosteiros sobraram os bosques escuros, as ravinas pedregosas, os topos ventosos e frios das montanhas. Nesses lugares reuniram-se as primeiras congregações monásticas e, principalmente no caso dos Beneditinos, as primeiras grandes bibliotecas do mundo ocidental.
Os mosteiros logo se tornaram lugares de peregrinação, não apenas por que eram território sagrado, mas também por oferecerem abrigo aos viajantes, socorro aos doentes, educação aos curiosos e àqueles inclinados ao estudo.
Os lugares sagrados da Cristandade, nesse sentido, são também, e sobretudo, lugares de acesso ao conhecimento e à salvação das almas, lugares de saber.
Visit Me on Vide
Visit Me on Ma.gnolia
Visit Me on Vox

